A água do chuveiro cai morna sobre seu corpo nu. Um arrepio corre por suas costas alojando-se nas entranhas. Pensa nele, o seu homem. O homem que espera há uma vida. O homem que ama. Fecha os olhos e entrega-se ao prazer de sonhá-lo como se ele estivesse debaixo da mesma água. O amor dói no corpo e pede para ser liberado. São muitas as vontades que guarda para ele. Guarda seu corpo em brasa que grita para ser literalmente comido. Comido pela boca, pelos olhos, pelas mãos e pelo falo amado. Quer este homem dentro de si. Quer tê-lo invadindo seus recessos e derramando sobre ela seu líquido quente. Lambuzar-se neste líquido e fazer dele seu alimento. Quer dar-lhe o seu próprio gozo. Espalhá-lo pelo rosto e corpo dele para que nunca mais se esqueça do sabor da vida que pulsa entre suas pernas.Sentir o gosto da pele dele em sua língua. Deixá-la passear por todo seu corpo num caminho que construirá com fogo. Esfregar-se nele, pele com pele, e deixar que seu cheiro entre por todos os poros do seu homem. Sugar-lhe os mamilos como uma cadelinha faminta. Mordê-los e beijá-los para ouvir seu grito de tesão. Quer a voz dele, rouca e sensual, chamando-a puta, a sua puta, e pedindo-lhe que o cubra com o corpo, que o mate com a volúpia do seu desejo.Ah, como ela ama este homem! Tanto que cada louca batida do coração é um grito de amor e de vontades.A dor do desejo contido a faz voltar à água do chuveiro. Trêmula, tensa e enlouquecida de tesão começa a acariciar-se. Até que o gozo vem quente, farto e bendito.