Fotografia 3 x 4

O espelho reflete apenas seu rosto. Moldura brilhante para a visão diária de si mesma. Os olhos brilham em castanho escuro. Mostram a alma. Brilham confusos, brilham felizes, brilham apaixonados, brilham tristes, brilham surpresos. Cílios que se encontram formando longas cortinas impenetráveis. Sobrancelhas gêmeas e indagadoras. Os cabelos são fios curtos e irregulares que se espalham em várias direções. Ainda têm o brilho da água cristalina da cachoeira. Apenas a cor é mutável e ela transita por matizes variados. Como brincando com uma aquarela infinita. A boca. Ah, a boca! É o que mais gosta em si. Boca que explora, que ri, que chora, que degusta, que sente, que goza. Infinitas viagens, as da boca. Lábios sensuais – foi sempre o que ouviu. Lábios sensíveis – foi sempre o que sentiu. Pele ainda guardando a cor do verão. Leve. Macia. Lembrando jambo, dizem. Não mais guardando o brilho da fruta, mas ainda um convite ao toque suave. Marcas dos tantos anos de intensa vida. Pequenas rugas lembrando os muitos sonhos vividos, as muitas dores sofridas. Marcas que ela cultiva. É sua vida ali desenhada. O conjunto é agradavelmente mistura de várias raças. Olha-se tentando se ver pelos olhos externos. Uma mulher. Mulher que sabe sorrir pra vida. E que reflete no rosto os sonhos que sonha. Apenas isso.