Um dia ele chegou. Envolto num arco-íris, de quem roubou as mais belas cores. Brilhou primeiro como anjo de cabelos encaracolados. Cercou-me. Trouxe-me sorrisos e o doce despertar da minha meninice. Brincamos de amarelinha, de bate e volta e cantamos cantigas de ninar. Eram as asas que eu tanto sonhara que chegavam coloridas.
Fui crescendo com ele. E aprendendo a voar cada vez mais alto. Dancei, esvoacei, rumorejei. Embobei também. Repeti inúmeras vezes as palavras que os meus sonhos ditavam. Até fiz versos. Alguns, escondi de mim mesma. (Eu ainda não me acostumara ao lirismo que entrara sorrateiramente por entre as minhas palavras).
Uma tarde, ele mudou. Sem nenhum aviso prévio, agigantou-se à minha frente. Belo, forte e terrivelmente possessivo abriu-me seus braços. Atônita, vi os cabelos encaracolados transformarem-se em flechas mortíferas. Reagi. Minhas palavras esconderam-se por detrás do pensamento e resisti. Briguei com o brilho dos meus olhos, deserdei minha alma saltitante e tentei congelar meu coração.
Na manhã seguinte, acordei de olhos arregalados e uma bateria descompassada dentro do peito. Criei coragem e me desnudei frente ao espelho. Com toda seriedade própria de um espelho honesto ele escreveu-me a sentença: renda-se porque ele é maior do que você.
Aliviada, abracei a sentença que, soberana, ignorava a minha sensatez. As estrelas piscaram, a lua fez-se cúmplice e os sinos anunciaram o final feliz:
sou o amor maior que eu!
Fui crescendo com ele. E aprendendo a voar cada vez mais alto. Dancei, esvoacei, rumorejei. Embobei também. Repeti inúmeras vezes as palavras que os meus sonhos ditavam. Até fiz versos. Alguns, escondi de mim mesma. (Eu ainda não me acostumara ao lirismo que entrara sorrateiramente por entre as minhas palavras).
Uma tarde, ele mudou. Sem nenhum aviso prévio, agigantou-se à minha frente. Belo, forte e terrivelmente possessivo abriu-me seus braços. Atônita, vi os cabelos encaracolados transformarem-se em flechas mortíferas. Reagi. Minhas palavras esconderam-se por detrás do pensamento e resisti. Briguei com o brilho dos meus olhos, deserdei minha alma saltitante e tentei congelar meu coração.
Na manhã seguinte, acordei de olhos arregalados e uma bateria descompassada dentro do peito. Criei coragem e me desnudei frente ao espelho. Com toda seriedade própria de um espelho honesto ele escreveu-me a sentença: renda-se porque ele é maior do que você.
Aliviada, abracei a sentença que, soberana, ignorava a minha sensatez. As estrelas piscaram, a lua fez-se cúmplice e os sinos anunciaram o final feliz:
sou o amor maior que eu!